Categorias: Opinião

E assim sucessivamente sem cessar

Pois, caro leitor, aí temos a mais recente réplica do grande marco da História dos Estados Unidos, que foi a invasão de janeiro ao edifício do Capitólio. Desta vez, a iniciativa ficou-se por um qualquer norte-americano, que se determinou a deixar para a sua própria história de vida o marco a que hoje se tem vindo a assistir: uma tentativa de entrar nos arredores do Capitólio, naturalmente bem defendido, para tal atropelando dois polícias que ali faziam serviço.

Achei graça a uma expressão usada por Germano Almeida, no noticiário das 19.00 horas, na SIC Notícias, referindo o facto de já se falar, no seio da sociedade norte-americana, por via dos que a estudam, na Do-ença Americana. E é uma realidade, que se prende, precisamente, com o modo como nasceram os Esta-dos Unidos e se cimentaram o respetivo Sistema Político e a sua Estrutura social global.

Olhando esta, percebe-se que a sociedade norte-americana desde sempre se viu marcada pelo individua-lismo, para mais suportado pela visão protestante da vida, onde quem triunfa o terá conseguido pelo seu mérito. Portanto, só os que o não têm poderão ficar pelo caminho. Uma sociedade, no fundo, sem Deus, apesar de sempre esta palavra ser proferida a esmo.

De modo concomitante, também o Sistema Político se viu marcado por dados originais e fortemente en-trópicos, de pronto apropriados pelos grandes interesses em jogo no seio da comunidade norte-americana. Se é verdade que a sociedade norte-americana não é uma sociedade de partido único, é-o de dois partidos únicos. No fundo, é a mesma realidade, mas com esta diferença para pior: aos poucos, esta sociedade acabou por se ir desnudando aos olhos dos seus próprios cidadãos, que são, nesta explicação, a grande maioria dos norte-americanos, ou desfavorecidos, ou à sua mercê.

Como há muito expliquei, nos Estados Unidos só aparentemente vigora uma real democracia, antes sim uma plutocracia. A generalidade da sua população, em mui boa medida, é como carne para canhão, a ser usada nas mil e uma guerras que se constituem na vida normal do país, para mais levada às sete partidas do mundo, este explorado sem limites pela máquina económica norte-americana.

O caso desta sexta-feira, de novo em frente ao Capitólio, é mais outra manifestação de violência surgida no seio da sociedade norte-americana. Num destes dias, lá nos voltou a chegar a notícia de novo tiroteio por parte de alguém com acesso a armas, e que se sentiu revoltado por via de mais uma qualquer das frustrações criadas no seio da sociedade norte-americana pela tal Doença Americana.

Por fim, o julgamento do assassino de George Floyd, sobre que se diz estar a ser fortemente acompanha-do por Joe Biden. Não sou adivinho, claro está, mas começa a atingir-me a impressão de que as coisas poderão vir a ficar próximas do que se deu com Rodney King: faleceu pouco depois dos 40 anos, com uma falência generalizada dos seus órgãos, e sem que nenhum dos nove polícias norte-americanos tivesse sido condenado. E também venho acompanhando o silêncio de Joe Biden ao redor do vergonho-so caso da prisão de Guantánamo. Um caso em que, mesmo na presidência de Barack Obama, acabou por ficar como vinha de antes: numa situação vergonhosa.

Falta a Joe Biden, neste caso da Doença Americana, a coragem de proceder como todos nós ouvimos a Bento XVI, quando viajava de Itália para Portugal: o mal está cá dentro. O problema é que se Joe Biden tivesse esta coragem, cairia numa verdadeira desgraça, política e pessoal, porque os Estados Unidos de-vem mesmo acreditar ser o povo escolhido por Deus, e porque os interesses dos que detêm o poder são simplesmente brutais. Enfim, uma lastimável sina…

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Publicado por
Hélio Bernardo Lopes