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Disse o que ninguém diz

O que Raquel Varela ali fez foi extremamente importante, sobretudo, pela coragem de ter abordado um tema sobre que quase todo o tecido social impôs um verdadeiro manto de silêncio.

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Há pouco mais de que uma semana, a académica Raquel Varela, no programa, “O Último Apaga a Luz”, fez uma referência a uma situação de que só muito raramente se fala. De resto, o leitor é testemunha desta mesma realidade, porque a ela se nos manifesta através da televisão.

A dado passo da sua intervenção, a professora referiu o crescimento do consumo de canábis entre os jovens, estando a ter lugar um crescimento exponencial dos internamentos derivados daquela prática. E referiu, por igual, que não param as campanhas contra a sinistralidade rodoviária, ou sobre o consumo de álcool, ou sobre o tabagismo, mas que, em contrapartida, nada é dito sobre esta realidade do consumo da canábis entre os jovens, e muito menos uma campanha forte, nas escolas e na televisão, contra o consumo de estupefacientes em Portugal. Pelo contrário – digo aqui eu –, o que persiste é um fantástico silêncio ao redor do consumo de estupefacientes, bem como sobre a imoralidade criminosa da sua traficância, interna e internacional. E por todo o tecido social, porque é um tema de que se não fala.

O que Raquel Varela ali fez foi extremamente importante, sobretudo, pela coragem de ter abordado um tema sobre que quase todo o tecido social impôs um verdadeiro manto de silêncio. Não tendo aquelas suas palavras uma grande consequência, a verdade é que já justificou, no mínimo, este meu texto. De resto, há mais de vinte anos que mostro o cabal fracasso do tipo de intervenção que vem sendo feito em torno da temática dos estupefacientes.

Muito recentemente, tive até a oportunidade de referir uma metodologia que bem podia ser posta em prática, por exemplo, pelos Estados Unidos. Uma prática em tudo semelhante à usada desde há décadas contra grupos de terroristas que põem em risco os Estados Ocidentais e mesmo outros, e se materializa na utilização de drones, mas agora em ordem a destruir os santuários onde os estupefacientes são produzidos no subcontinente americano. Seria extremamente elementar e muito eficaz, porque os Estados Unidos conhecem muitíssimo bem a localização dos santuários onde os estupefacientes são produzidos.

Claro está que um tal caminho teria de possuir o interesse dos Estados Unidos, realidade que não se nos dá a ver. De modo que surge a questão: se os Estados Unidos invadiram o Panamá para deter Manuel António Noriega, por ser ele um narcotraficante, que razões podem impedir os Estados Unidos de bombardear as fábricas de materiais destruidores do bem estar da sua juventude e da de muitos outros países?

Quem tenha tido a oportunidade de visionar, há já mais de uma década, um documentário sobre a intervenção dos Estados Unidos no Afeganistão, terá tido a oportunidade de ver um major norte-americano, com os seus homens junto de um campo de papoilas, explicando que não iriam incendiá-lo porque era preferível manter ali os afegãos, no seu trabalho, deixando a captura dos estupefacientes para mais tarde, através das polícias dos diversos Estados!! Bom, caro leitor, ri com gosto, porque se tratou ali de uma tentativa de barrete, mas apenas para mundo ver. Os anos passaram e o resultado é o que se pode ver todos os dias. Ou quase.

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