Informativo Digital de Trás-os-Montes e Alto Douro

Depois do anterior, o seguinte

Em menos de um fósforo, como usa dizer-se, aí temos já o novo acontecimento, ontem surgido a público: José Sócrates está no Brasil, ao que se noticiou a realizar um curso de doutoramento na Universidade de São Paulo. Passámos, pois, a ter a nossa atenção centrada no antigo Primeiro-Ministro, quase deixando de lado o nosso falecido João Rendeiro.

196

A degradação da vida pública do País tem vindo a operar-se de um modo forte, e a um ritmo verdadeiramente alucinante. E esta realidade constitui um fator fortemente determinante do rápido decaimento da imagem da democracia. Um decaimento que vem varrendo o mundo e que está a escancarar as portas ao desenvolvimento do poder político da Extrema-Direita.

A grande comunicação social, invariavelmente, quase não ajuda a esclarecer as grandes realidades intrínsecas do que vai pelo mundo, nem sequer aspetos essenciais da vida nacional. A grande luta neste domínio é operada à luz da obtenção das audiências, ou da atração dos leitores. Um domínio, este, em que o valor apelativo das manchetes pode ser suficiente para afastar a aquisição dos próprios veículos informativos.

Pois, há uma meia dúzia de dias, aí nos surgiu, com novo pico noticioso, o caso da morte do nosso concidadão João Rendeiro. Um tema sobre que se escreveram mil e uma opiniões, mas sem se conseguir, de facto, esclarecer a realidade substantiva do que esteve em causa a montante desta tragédia recente. Hoje, a grande realidade é que os portugueses, substantivamente, acabaram por ficar a anos-luz de quanto esteve em jogo em todo este caso, e olhado o mesmo na sua mais ampla globalidade, incluindo o modo como se tem desenvolvido a ação da tal comissão liquidatária.

Em menos de um fósforo, como usa dizer-se, aí temos já o novo acontecimento, ontem surgido a público: José Sócrates está no Brasil, ao que se noticiou a realizar um curso de doutoramento na Universidade de São Paulo. Passámos, pois, a ter a nossa atenção centrada no antigo Primeiro-Ministro, quase deixando de lado o nosso falecido João Rendeiro. De modo que surge a questão: qual será o próximo tema a surgir por via da nossa grande comunicação social, em ordem a deitar para o cesto do esquecimento esta notícia sobre Sócrates?

Creio ser simples perceber que esta dinâmica social se constitui num fortíssimo fator de degradação da imagem da própria democracia. Os portugueses, como os restantes povos assim martirizados, acabam por esquecer e se desinteressar do próprio funcionamento do tecido social, operado, supostamente, à luz da liberdade inerente à ideia democrática. E esta deserção do interesse pelo funcionamento estrutural das democracias acaba por abrir as portas às vozes salvíficas que sempre vão andando por aí, quais aves agoirentas, sempre esperando o momento apropriado à sua chegada ao poder.

Publicidade

Este website usa cookies que permitem melhorar a sua experiência na internet. Pode aceitar ou recusar a utilização desta tecnologia Aceito Política de Privacidade