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Democracia e relativismo

Mas sejamos um pouco mais criativos e tentemos estimar o que se daria se esta maleita surgisse com o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, sem atingir o Primeiro-Ministro, na sequência da presença destes no teatro nacional portuense onde estiveram recentemente.

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A democracia, pela sua própria natureza, concede aos cidadãos um amplo grau de liberdade de expressão do pensamento. Os cidadãos, naturalmente, sabem do que se passa através da grande comunicação social. Muitos deles nem sequer compram jornais, outros vão ouvindo os noticiários televisivos, mas longe de dominar cabalmente o que deles vai sendo debitado, e uma minoria lê e digere o que no seu jornal se contém. E destes, os mais interessados, deitando mão da INTERNET, lá vão tomando conhecimento de muito do que se escreve nos jornais que não compram. De tudo isto, sobra uma perceção da realidade. Uma perceção que pode ser aperfeiçoada em função dos ambientes com que se convive.

Acontece, como por igual se conhece à saciedade, que o jornalismo não é neutral. Basta gostar de cinema, ou de literatura, ou conhecer a História, para logo se perceber que uma boa parte do jornalismo de todo o mundo vive ligado a interesses ou dependências diversas. Por vezes, até em face do poder soberano, ou das estruturas criminais ou policiais. E em muitas outras situações.

Vem tudo isto a propósito da quarentena autoimposta pelo Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, por via das razões já amplamente conhecidas. Ora, neste caso tudo foram loas por parte da tal nossa grande comunicação social: ninguém se tendo determinado a pôr em causa a lógica da realização do tal encontro de jovens nas instalações da Presidência da República, de pronto se passou ao cabalíssimo aplauso deste ato presidencial, logo apontado como exemplar e mui referente para toda a nossa população. Bom, admito tudo isto e sem levantar objeções.

Admita agora o leitor que esta realidade tivesse tido lugar, por exemplo, com o Primeiro-Ministro, António Costa. Consegue imaginar as críticas que surgiriam de todo o lado? De pronto se diria que tudo não passara de uma consequência de mais uma ação de show off de António Costa, desse modo colocando em causa o próprio regular funcionamento do Governo. E então se um outro ministro viesse a surgir contaminado com o COVID-19, bom, o palavreado a surgir seria simplesmente inimaginável!!

Mas sejamos um pouco mais criativos e tentemos estimar o que se daria se esta maleita surgisse com o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, sem atingir o Primeiro-Ministro, na sequência da presença destes no teatro nacional portuense onde estiveram recentemente. Bom, seriam mais loas ao Presidente da República, dado não ter tido o receio de estar presente num tal evento, para mais no Norte do País. Mas se tal cenário atingisse o Primeiro-Ministro, sem o Presidente da República estar presente, tudo seria logo diferente, porque o primeiro é que dirige a governação do País, sendo logo apontada a sua presença como uma tentativa de igualar Marcelo!!!

Uma das consequências da democracia, como referi ao início, é a mui ampla liberdade de expressão do pensamento. Simplesmente, esta pode ser usada de um modo terrivelmente relativista, onde a mesma realidade vale de modos distintos: se com um é excelente, logo com outro é terrível. Mas, enfim, temos a democracia…

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