Informativo Digital de Trás-os-Montes e Alto Douro

Criminosamente sós

Desde que se consiga manter uma independência analítica, compreende-se o que Israel está a praticar contra o povo palestino, uma vez que a História de Israel se constitui num perseverante desprezo pela Comunidade Internacional, pelas suas instituições e em face das mais diversas decisões do Conselho de Segurança e da Assembleia Geral das Nações Unidas. Há muito que Israel se assumiu como um Estado à margem da lei.

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Andou bem António Guterres, na sua qualidade de Secretário-Geral das Nações Unidas, ao invocar, junto do Conselho de Segurança, o Artigo 99 da Carta das Nações Unidas. Deste modo, António Guterres mostrou que o Secretário-Geral da ONU pode exercer uma ação que se mostre visível perante os povos do Mundo, ajudando a perceber quem, de facto, defende os Direitos Humanos, e quem se mantém ao leme da prática sistemática de crimes de todo o tipo contra um povo, a que pretende, mormente desta vez, aplicar a repugnante solução final.

Desde que se consiga manter uma independência analítica, compreende-se o que Israel está a praticar contra o povo palestino, uma vez que a História de Israel se constitui num perseverante desprezo pela Comunidade Internacional, pelas suas instituições e em face das mais diversas decisões do Conselho de Segurança e da Assembleia Geral das Nações Unidas. Há muito que Israel se assumiu como um Estado à margem da lei.

Hoje, para lá de um Estado fora da lei, Israel vem-se afastando, até rapidamente, da vida democrática, mormente pela subversão da separação de poderes, a fim de permitir evitar a intervenção dos Tribunais sobre o Primeiro-Ministro Netanyahu, que se encontra na alçada de três processos-crime por suspeitas de corrupção. O culminar de uma infeliz sequência histórico-política, onde também têm lugar Olmert, como o carniceira Sharon, ou os bombistas Begin e Shamir. Todavia, mil e um políticos fracos do nosso tempo fingem não ver as realidades desde sempre praticadas e conhecidas, agora culminadas nesta autêntica aplicação de uma solução final ao povo palestino.

Perante todo o conhecimento mundial desta hecatombe política, materializada nas ações de Israel, os Estados Unidos deitaram-se a ser um seu apoio incondicional, faça aquele o que entender. Esta posição, como teria de dar-se, acabou por colocar a classe política dos Estados Unidos subordinada ao poder e controlo da comunidade judaica que vive no país. Precisamente o que há dias nos expôs Luís Costa Ribas: não há partido que se arrisque a condenar Israel, ou a votar uma qualquer resolução contra este no Conselho de Segurança, ou teria a eleição perdida.

Com esta mais recente votação no Conselho de Segurança, os Estados Unidos são hoje uma força política isolada no Mundo, se excetuarmos o caso de Israel, que é quem, de facto, comanda o poder norte-americano. Esta votação mais recente, de todos contra os Estados Unidos, mostra também que até o Reino Unido se ficou por uma abstenção, não seguindo a subordinação norte-americana perante Israel. No fundo, esta votação acabou por se constituir em mais um elemento que ajuda a perceber a decadência norte-americana, que há muito deixou de se suportar num ínfimo de moral política.

Infelizmente, vive-se um tempo de gravíssima crise política por todo oo Mundo, sendo doloroso comparar o silêncio católico em face do Holocausto, e como tal atitude volta hoje a ter lugar, mas em face da solução final do povo palestino, agora às mãos de Israel. Com as naturais adaptações, a História repete-se…

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