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Consultora na área do empreendedorismo vai apoiar refugiadas da Ucrânia na criação ou migração de negócios

A consultora, que possui uma Incubadora de Empresas, disponibiliza alguns espaços físicos para estas mulheres e através da mesma incubadora está disponível para dar apoio virtual a mais 20 mulheres, independentemente da região onde possam ficar no nosso país.

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“É a nossa responsabilidade social!”, começa por argumentar Carla Branco, a responsável pela empresa PARTNIA, consultora na área do empreendedorismo, que já definiu o quadro de objetivos para apoiar as mulheres ucranianas refugiadas, que chegam ao nosso país, com os filhos e os idosos, e que precisam de traçar um novo projeto de vida. “A linha de refugidos da atual vaga são mulheres, crianças e idosos, por isso nós colocamos a tónica no feminino”, continua.

Estas mulheres que chegam a Portugal, para entrar no mercado de trabalho precisam de um enquadramento diferente, na Segurança Social e na Autoridade Tributária, que pode ser ou não o previsto no estatuto de refugiadas. O papel da PARTNIA será apoiar gratuitamente estas mulheres a compreenderem os quadros legais nacionais, a ajudar na transformação de ideias em negócios, o que inclui Planos de Negócio e criação de todas as ferramentas necessárias para a sua implementação. Para além disso Carla Branco refere a importância de apoiar as mulheres que já tinham áreas de trabalho definidas na Ucrânia e que pretendam dar continuidade aos negócios em Portugal. “Nós vamos ajudar na migração desses negócios, adaptá-los não apenas aos nossos quadros legais e fiscais, como trabalhar a linguagem, enquadrá-las numa linguagem europeia”, argumenta.

Quando se trata de negócios de base digital o processo pode ser relativamente simples, quando implica a produção de bens, nomeadamente artísticos ou artesanais, neste caso a PARTNIA pode ter um papel fundamental no apoio às empreendedoras para a compra de matéria-prima, criação de redes de comercialização e até de espaços físicos de venda.

A consultora, que possui uma Incubadora de Empresas, disponibiliza alguns espaços físicos para estas mulheres e através da mesma incubadora está disponível para dar apoio virtual a mais 20 mulheres, independentemente da região onde possam ficar no nosso país.

São muitas as áreas em que a consultora pode ajudar, “até no acesso ao microcrédito para aquelas que pretendam fazer investimento para a criação de um negócio”, exemplifica.

Neste momento a empresa está já a contactar as organizações nacionais que recebem os refugiados para, através delas, chegar às mulheres para quem esta proposta faça sentido e represente uma oportunidade de voltar a sonhar, de crescer do ponto de vista pessoal e profissional.

Incubadoras do Tua, de Vimioso e Lourinhã juntam-se no apoio às refugiadas

A PARTNIA é a consultora que presta apoio técnico às incubadoras de empresas do Parque Natural Regional do Vale do Tua (PNRVT), do município de Vimioso e também da Lourinhã, entre outras.

A ideia de apoiar refugiadas foi proposta e de imediato acolhida pelas referidas incubadoras, que para além do suporte técnico e acompanhamento legal das ideias e dos eventuais negócios, tem espaços físicos onde as empreendedoras refugiadas podem trabalhar sem quaisquer custos. Há espaços de coworking disponíveis, mas também a disponibilidade para agilizar a procura de espaços adequados às necessidades físicas dos projetos, quando for caso disso.

“É uma excelente ideia e nós muito interessados, em primeiro lugar porque estamos a responder a uma questão fundamental na receção aos refugiados, que é o apoio na definição de um novo projeto de vida, por outro lado, porque o território fica sempre a ganhar com a vinda de recursos humanos que aqui se possam fixar e desenvolver os seus projetos”, argumenta o diretor do PNRVT.

Como sabemos os municípios estão a preparar respostas ao nível do alojamento para os refugiados. Se acrescentarem oportunidades de desenvolvimento pessoal e profissional, ajudam na sua integração na sociedade e promovem também o seu bem-estar, evitando situações de subsidiodependência, que não é desejado por quem teve de abandonar o seu país, deixar para trás a família, os amigos, o trabalho.

Dar oportunidade a estas mulheres de se sentirem úteis, ainda mais nas áreas onde elas se sintam mais capazes, tem também um papel emocional e psicológico muito forte para as ajudar a superar o momento particularmente violento que atravessam.

Também o presidente da Câmara de Vimioso, Jorge Fidalgo, vê esta possibilidade com muito agrado, alegando que todos sentimos vontade e impulso de proporcionar oportunidades aos refugiados e a melhor forma de apoiar criar-lhes condições de trabalho.

Carla Branco remata dizendo que o pior que podemos fazer a estas mulheres “é olhá-las como coitadas”: “abrindo-lhes portas ajudámo-las na sua valorização pessoal e profissional, ganhando todos, porque podemos encontrar muitos grandes talentos”.

A PARTNIA está já a produzir informação em ucraniano, para chegar às mulheres que não dominem a língua inglesa, mantendo uma postura de abertura da empresa para ir respondendo de acordo com as necessidades que se forem colocando. “Sabemos que vai ser desafiador, que eventualmente nos vamos deparar com algumas situações que nós próprios teremos de procurar respostas, mas estamos disponíveis para dar o nosso melhor”, conclui.

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