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Confrangedor

Haverá de compreender-se que é confrangedor assistir à destruição lenta do Estado Social, para mais pela mão do PS. Se no setor da Saúde já custa acreditar numa recuperação do Serviço Nacional de Saúde, vir agora escutar a explicação de que poderá ficar em causa o futuro da Segurança Social.

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Chega a ser confrangedor assistir ao comportamento político do PS de António Costa em face da tributação extraordinária dos lucros anormais conseguidos em determinados setores da atividade económica. E mais o foi, ainda, escutar o golpe de rins do eurodeputado Pedro Marques, depois de, recentemente, se lhe ter ouvido falar deste tema com maior clareza. E tudo isto acompanhado da passagem ao silêncio conveniente de Carlos César. Veremos se, no futuro, Alexandra Leitão irá também prosseguir por um tal caminho.

Depois do estado da opinião política ao nível europeu, e logo a começar pela própria Presidente da Comissão Europeia, é muito doloroso assistir ao papel reacionário do Governo de António Costa, bem como do PS de hoje. Afinal, ao que parece, não há dinheiro, nem real vontade de promover a redistribuição do que possa existir. No fundo, quase voltamos a estar, agora na União Europeia, como um país orgulhosamente só.

Quando hoje almoçava, não deixava de apoquentar o meu espírito o que ouvira momentos antes: se o PSD se diz coerente, esperando a discussão do que vier a ser colocado sobre a mesa – falta a concretização, portanto –, já o PS o ultrapassa mesmo, mas pela direita, recusando, sem mais, o caminho que até Ursula von der Leyen veio apresentar, e já de um modo muito concreto. Isto, para mim, é deveras confrangedor. E mesmo agora, quando escrevo o presente texto, continuo a matutar nesta cabalíssima farsa política do PS de António Costa, que acaba por se ficar, de facto, numa posição quase idêntica – é-a na prática – à do PSD.

Até no café me vi impossibilitado de rebater a defesa de concidadãos laranjas, alguns grandes defensores do regime constitucional da II República, desta farsa política do PS de António Costa. E, como certamente se terá percebido desde há muito, não tendo nunca sido militante do PS – só o fui do CDS histórico –, a verdade é que não vivi nunca na ilusão de que o PSD é um partido social-democrata, porque o que é, isso sim, é um partido liberal. Simplesmente, é doloroso, mesmo revoltante, assistir a esta viragem do PS a caminho da materialização dos objetivos de sempre do PSD, pondo um fim, paulatinamente, nas suas preocupações sociais de sempre.

Haverá de compreender-se que é confrangedor assistir à destruição lenta do Estado Social, para mais pela mão do PS. Se no setor da Saúde já custa acreditar numa recuperação do Serviço Nacional de Saúde, vir agora escutar a explicação de que poderá ficar em causa o futuro da Segurança Social, e tudo isto acompanhado da recusa forte em seguir o caminho já defendido, abertamente, pelos mais conservadores da União Europeia, de taxar os lucros excessivos de certos setores hoje multimilionários, bom, é de derrubar os mais resistentes e esperançados. Enfim, uma triste dor em que tantos nunca imaginaram…

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