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Coisas Engraçadas

No meio de tudo isto, Rui Rio, na sua entrevista de ontem à RTP 3 Houve, lá pelo meio da mesma, dois pontos principais.

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Continua a saga do caso dos diamantes, ouro e drogas, oriundos da República Centro-Africana, e que terão tido na base militares de um dos nossos contingentes naquele país, ao serviço das Nações Unidas. Num ápice, como sempre tem lugar, começou a elaboração de modelos explicativos. Ao que se vem noticiando, tal iniciativa dispôs, depois, do suporte de concidadãos nossos, trabalhando aqui, no continente.

Este mecanismo terá servido interesses de outros alegados concidadãos nossos, desde militares de alta patente a diplomatas. Foi, como se sabe, o que se noticiou. Mas é claro que entre o noticiado e a realidade vai um abismo. Por vezes, é isso que tem lugar. Simplesmente, percebe-se facilmente que, a ter lugar um tal abismo, a dificuldade em se chegar a bom porto costuma ser tremenda. E se esse abismo se suportar em oficiais de alta patente e em diplomatas, bom, só mesmo alguém muito dotado da melhor boa-fé continuará a acreditar no desenlace dum caso deste tipo. E convém nunca esquecer os históricos casos dos dinheiros militares do Ultramar, ou do navio Angoche.

Há neste caso um outro dado que, nos termos da minha memória, é inusual: a não revelação dos nomes dos nossos concidadãos que foram presentes ao juiz Carlos Alexandre, que remeteu uma decisão futura para o Conselho Superior da Magistratura. É novo e, por isso mesmo, estranho. De imediato, muitos portugueses atentos à vida pública terão pensado como pude escutar, em pleno café, de gente conhecida, e que é, também, a impressão em mim suscitada: talvez esteja presente, também, gente de elevado gabarito, o que, a dar-se com oficiais de alta patente e com diplomatas bem poderia colocar Portugal sob o foco de uma amplíssima mancha negra internacional. Certo, isso sim, é que esta não revelação dos restantes nomes que foram presentes a juízo é inusual. Para já não referir gente estrangeira de gabarito.

Também neste caso surgiu uma nova informação, mas que, em três dias, passou ao seu inverso: o alegado líder do mecanismo iria expor no tribunal a lista completa dos seus clientes, digamos assim. Em três dias, todavia, o que sobreveio foi a notícia do inverso: afinal, não já irá dizer nome algum. Um conjunto de histórias que devem ser olhadas à luz da decisão de Carlos Alexandre de enviar a decisão da divulgação dos nomes dos que lhe foram presentes para o Conselho Superior da Magistratura.

Por fim, a nova saga política, objetivamente criada pela grande comunicação social, tentando encontrar uma qualquer estranheza no percurso da informação recebida pela hierarquia militar a partir do comando do contingente na República Centro-Africana. E a grande comunicação social, naturalmente, vai tentando vender tempo de antena, a fim de conseguir as tais audiências que Fernando Correia referiu há um tempo atrás. É, objetivamente, a nossa fantástica democracia em movimento.

No meio de tudo isto, Rui Rio, na sua entrevista de ontem à RTP 3 Houve, lá pelo meio da mesma, dois pontos principais. Por um lado, a objetiva falta de preparação de Paulo Rangel para o exercício do cargo de Primeiro-Ministro. Foi, indubitavelmente, um ato de coragem de Rui Rio, até por ser coisa rara na vida política portuguesa, que é falar-se claro. Por outro lado, aquela referência à necessidade de expor, a todos os portugueses, o programa de Rio, mas também promover a sua comparação com o do seu adversário. Bom, Rui Rio foi claro e certeiro: Paulo Rangel já aqui expôs o seu pensamento, hoje exponho eu, de modo que os portugueses podem comparar.

Há muito venho recordando a posição assumida, neste domínio, por Aníbal Cavaco Silva quando era Primeiro-Ministro e se viu desafiado a debates por Jorge Sampaio. Pois, a resposta foi liminar: não estou disposto a participar em discussões que seriam, tão-só, mero espetáculo sem conteúdo útil para os portugueses. Bom, venceu com maioria absoluta. A grande verdade é que os debates, invariavelmente, discutem tudo, mas nada esclarecem.

E mesmo por fim, a referência de Miguel Morgado à fantástica avalanche de criminalidade que, desde há muito, vem varrendo setores diversos das Nações Unidas. Um tema sobre que vale a pena ler uma obra fundamental, dada à estampa por Eric Frattini: ONU, HISTÓRIA DA CORRUPÇÃO. Sendo assim, qual a probabilidade deste caso recente, passado na República Centro-Africana, ser único com gente nossa? Coisas deveras engraçadas…

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