Informativo Digital de Trás-os-Montes e Alto Douro

Casca de banana

Com extrema facilidade, quem quer que leia este texto perceberá que nunca se viu incomodado, mormente no seu sono, ou nas suas férias, mesmo no dia-a-dia da sua vida, com a existência das armas nucleares. Apenas agora, depois dos erros da OTAN que levaram ao surgimento desta nova Guerra Fria, é que se começou a admitir que talvez as mesmas pudessem vir a ser utilizadas.

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As grandes estruturas ligadas ao Ocidente vêm, desde há muito, a tentar destruir o poder defensivo da Rússia, em ordem a secundarizá-la no palco da política internacional. Para muitos existirá mesmo o sonho de poder desmembrá-la, a fim de, por via da corrupção dos líderes das novas independências, se conseguirem explorar as riquezas imensas no território da Rússia de hoje.

O Papa Francisco – talvez também Bento XVI, embora garantidamente menos – começou por bater-se pela extinção das armas nucleares, sem olhar para a realidade simples de que foram estas armas que impediram que novas grandes guerras regressassem ao mundo. De resto, tais armas só foram utilizadas, desde a sua criação, por parte dos Estados Unidos, e contra um Japão em estado de pobreza já profundo, sem meios, muito menos os essenciais para se enfrentar as consequências de ataques com tal armamento.

Com extrema facilidade, quem quer que leia este texto perceberá que nunca se viu incomodado, mormente no seu sono, ou nas suas férias, mesmo no dia-a-dia da sua vida, com a existência das armas nucleares. Apenas agora, depois dos erros da OTAN que levaram ao surgimento desta nova Guerra Fria, é que se começou a admitir que talvez as mesmas pudessem vir a ser utilizadas. Simplesmente, isso só será assim se o Ocidente, capitaneado pelos Estados Unidos, perante a fraqueza dos líderes europeus, conduzirem a Rússia a uma situação próxima da perda da sua soberania, ou seja, da sua própria existência.

Depois de Francisco, surgiu-nos Guterres, com aquela sua espécie de sonho de operar uma reforma estrutural das Nações Unidas, e começando logo por mudanças na estrutura do Conselho de Segurança, precisamente onde se encontram representadas a Rússia e a China, ambas membros permanentes dessa estrutura e com poder de veto. E estes dois Estados, claro está, possuem armas nucleares, com a Rússia, neste domínio, a emparelhar com os Estados Unidos.

A presente grande batalha da Ucrânia veio mostrar que a Rússia, com ou sem a tal causa longínqua apontada por Francisco, há muito teria visto uma intervenção da OTAN na Ucrânia – no mínimo…–, se não dispusesse de um fortíssimo arsenal nuclear, em terra e em navios de natureza diversa. Estas armas evitaram que a Rússia sofresse o que se pôde ver no Japão, embora, pelo que se vê, os dirigentes japoneses pareçam ter aceitado facilmente a nova dependência hoje visível. Um pouco como aquele velho ditado do nosso tempo marialva: quanto mais me bates, mais gosto de ti.

Ora, há umas duas semanas, surgiu por este nosso mundo uma carta aberta, creio que com estrutura participativa internacional, pedindo uma espécie de paraíso na Terra. Assim, pedia-se que se pusesse um fim na pobreza que vai pelo mundo, na fome que atinge muitas centenas de milhões de seres humanos, que se estancasse a destruição do Planeta, que se pusesse cobro na venda de armas nos Estados Unidos e que se acabasse com as armas nucleares. Como usa dizer-se, tinha de ser… No fundo, esta petição não passou de uma tentativa de casca de banana, dado que ninguém com um mínimo de bom senso poderá admitir que os Estados Unidos, ou o Reino Unido – portanto, também a França –, ou Israel algum dia se determinem a deixar de possuir armas nucleares. Objetivamente, quem as possui não prescinde delas.

Infelizmente, nós tivemos a visita desagradável da COVID-19, que mostrou ao mundo a completa irrealidade da solidariedade internacional, com os Estados ricos do Primeiro Mundo a recusarem apoiar os do Terceiro Mundo em matéria de vacinas. Um facto que nos mostrou o cinismo desta ladainha da fome no mundo, se os cereais da Ucrânia não puderem deixar o país. Mostram-se-nos (agora, claro está) plenos de peninha com a fome dos povos pobres do mundo, mas nada lhes ligaram quando se impunha dar-lhes acesso às vacinas. E a cauca foi simples: o essencial era salvar o sistema económico do Primeiro Mundo, porque os Estados do Terceiro Mundo só servem como vazadouros, ou como fontes de nova escravização, ou como locais com grande riqueza para ser explorada pelos do Primeiro Mundo.

Toda a atenção é pouca em face deste tipo de cascas de banana, para mais num tempo como o que decorre por estes dias…

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