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Campeonato Intermunicipal de Jogos Tradicionais veio para ficar

Os jogos a concurso foram escolhidos tendo em conta as tradições locais e o peso que noutros tempos estas atividades tinham nas respetivas comunidades, com o intuito de não deixar perder a tradição, apostando no envolvimento dos mais jovens que, nalguns casos, desconheciam completamente os jogos em causa.

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Já é conhecido o local para a realização da próxima edição do Campeonato de Jogos Tradicionais das Terras de Trás-os-Montes. O anúncio foi feito durante a final desta competição que teve lugar, este fim-de-semana, em Bragança. Nesta primeira edição participaram cerca de 500 pessoas, dos 9 concelhos que integram a Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes (CIM-TTM), entidade promotora desta iniciativa.

“Os jogos tradicionais fazem parte da nossa identidade cultural, por isso é tão importante valorizar e promover estas tradições”, afirma o presidente da CIM-TTM, Jorge Fidalgo, garantindo que esta primeira edição do Campeonato Intermunicipal de Jogos Tradicionais vai ter continuidade. “Neste primeiro ano as finais decorreram em Bragança, no próximo ano será em Vila Flor, e assim sucessivamente, percorrendo cada um dos nove concelhos que integram a CIM-TTM”, adiantou, explicando que a ordem do município que em cada ano recebe o evento foi definida por sorteio.
Nesta primeira edição, depois de cada um dos concelhos ter realizados os jogos concelhios, foram apurados os melhores jogadores e equipas que na final, em Bragança, representaram o respetivo município. Cerca de 500 participantes, de diferentes faixas etárias, participaram nas diferentes modalidades, incluindo também pessoas portadoras de deficiência, que tiveram a possibilidade de competir nas modalidades adaptadas.

Os jogos a concurso foram escolhidos tendo em conta as tradições locais e o peso que noutros tempos estas atividades tinham nas respetivas comunidades, com o intuito de não deixar perder a tradição, apostando no envolvimento dos mais jovens que, nalguns casos, desconheciam completamente os jogos em causa. É o caso do jogo da relha. Hermínio Silva, um dos jogadores em competição, explica que o jogo consiste em lançar a relha (um objeto em ferro que faz parte do arado), com um peso superior a 3 kg, o mais longe possível. Este jogador conseguiu lançar a relha a uma distância de 20,44 metros. “Para mim este campeonato serviu para recordar, antigamente nos dias de festa era certo que durante a tarde tínhamos jogos tradicionais, agora já não acontece nada disso. Os jovens não se interessam, nalguns casos nenhum sequer conhecem o jogo”, comentava no final da prova. E é certo. Bruno Garcia, com 12 anos, de Alfândega da Fé, participou na modalidade de tração à corda e disse que desconhecia boa parte das modalidades deste campeonato: “Não conhecia o jogo da relha”, confessou. Entre os jovens os jogos mais populares e que, de vez em quando ainda jogam em contexto escolar, são a corrida de sacos e a tração à corda.
O objetivo da CIM-TTM, é revitalizar e valorizar os jogos tradicionais enquanto património identitário do território, já iniciou o caminho, agora importa manter a aposta, continuar a realizar este evento anual, para consolidar a importância dos jogos tradicionais.

O projeto surge no âmbito do programa Cultura para Todos, aprovado pelo Programa Operacional NORTE 2020. O desafio que se segue e que vai envolver as equipas de trabalho consiste na criação de uma ponte entre a tradição e a inovação. A ideia passa por desenvolver soluções que permitam tornar estes jogos mais atrativos junto dos jovens, sem deixar perder a sua originalidade.

As escolas são um dos públicos-alvo prioritários e vão ser desafiadas a participar nas próximas edições, motivando os jovens a conhecer, a aprender e a praticar alguns dos jogos tradicionais mais representativos no respetivo concelho. Estes jogos coletivos exigem que se criem equipas, que exista trabalho em grupo, que promove a interação, que estimula o convívio. Numa altura em que o uso excessivo da tecnologia por parte de crianças e jovens está na ordem do dia, em que o próprio contexto pandémico remeteu ao isolamento, esta iniciativa surge como uma oportunidade de trabalhar a socialização, a integração, o espírito de grupo e o sentimento de pertença, tão importantes na formação da personalidade dos mais novos.

O Campeonato Intermunicipal decorre em duas fases. Numa primeira fase as equipas concorrem a nível concelhio e depois deste apuramento realiza-se a final intermunicipal, que em 2023 acontece em Vila Flor.

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