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Cá está, a culpa foi da China

Acontece que, desde há algum tempo a esta parte, se vêm descobrindo casos de mortes por pneumonia atípica, ao redor do surgimento do novo coronavírus – janeiro, dezembro, novembro e outubro –, mas que, após estudo adequado, se percebe terem as mesmas sido determinadas pela COVID-19. Começa, pois, a perceber-se que este novo coronavírus já por aí andaria há muito e em diversos lugares do Planeta.

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Custa-me admitir que exista por esse mundo fora muita gente interessada e lúcida que não compre-enda a razão de Donald Trump ainda ter dentes, porque, como usa dizer-se, quando fala acertadamente cai-lhe um dente. Por esta razão, já todos perceberam que o caso da responsabilidade da China no que conduziu à COVID-19 não passa de mais um argumento para consumo interno, também porque talvez a China, para calar Trump se deixe levar na onda de pagar qualquer coisa – a dívida dos Estados Unidos à China é inima-ginável…–, e porque esta historieta é só mais uma. Ora, a grande verdade é simples de perceber, sendo que já a referi por diversas vezes: os Estados Unidos perceberam que foram ultrapassados pela China.

Acontece que, desde há algum tempo a esta parte, se vêm descobrindo casos de mortes por pneumonia atípica, ao redor do surgimento do novo coronavírus – janeiro, dezembro, novembro e outubro –, mas que, após estudo adequado, se percebe terem as mesmas sido determinadas pela COVID-19. Começa, pois, a perceber-se que este novo coronavírus já por aí andaria há muito e em diversos lugares do Planeta.

Ora, surgiu hoje a notícia de que duas organizações não governamentais – Global Health Advocates e Cor-porate Europe Observatory – acusam as grandes farmacêuticas envolvidas em parcerias público-privadas com a União Europeia de terem impedido a investigação sobre coronavírus que foi proposta a Bruxelas em 2018. Nestes termos, o lobbying da indústria farmacêutica, European Federation of Pharmaceutical Industries and Associations, determinou-se a não considerar o financiamento das condições que permitissem que se estivesse pronto para responder a epidemias como a causada pelo novo coronavírus, bem como à doença por si gerada, a COVID-19.

Assim, nos termos da notícia, a tal European Federation of Pharmaceutical Industries and Associations ter-se-á oposto a que a mesma fosse incluída nos trabalhos da Iniciativa de Inovação Médica, quando essa possibilidade foi levantada pela Comissão Europeia em 2018.

É interessante constatar que a indústria farmacêutica beneficiou, ao nível europeu, de 2,6 mil milhões de euros do Orçamento Público de Investigação da União Europeia no período de 2008 a 2020, por via, precisa-mente, da Iniciativa de Inovação Médica, mas falhando sempre, ao menos até agora, em investir significati-vamente em áreas de pesquisa em que o financiamento é muitíssimo urgente.

Salientam a Global Health Advocates e a Corporate Europe Observatory que, entre os setores negligenciados, que necessitavam de um financiamento significativo, estão: a prevenção para epidemias, o VIH/SIDA e as doenças tropicais relacionadas com a pobreza. Como se vê, um mimo. E Trump, tal como a gentalha que o rodeia, nunca se deu conta destas realidades. Nem Trump nem os políticos europeus, claro está.

Em contrapartida, a indústria farmacêutica usou o orçamento europeu, sobretudo, para financiar projetos em áreas que eram comercialmente mais rentáveis. Portanto, outro mimo. E não deixo de recordar as palavras do Papa Francisco, sobre que a atual economia mata, mas estranhando o seu silêncio ao redor destas reali-dades, ora vindas a público. Claro está que o topo dos líderes mundiais conhecia esta realidade com bom pormenor, mas foram fingindo não ver. Quem investe quer ter lucro, morra lá quem morrer, muitos ou poucos, velhos ou novos, homens ou mulheres.

Por fim, esta nota, sobretudo para o leitor: vai agora reparar como o silêncio se irá abater sobre esta notícia de hoje. E não se pode dizer que o tema não foi noticiado, porque o foi, mas em menos de um minuto. Por isso nos vem repetindo o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, e à saciedade, a extraordinária importân-cia de se possuir uma comunicação social forte, estruturada por jornalistas livres e bem apetrechados. Ah, pois claro! É o nosso caso!!

E mesmo por fim, mais um convite a José Alberto Carvalho, recordando aquela série de 10 programas sobre a IURD: espero que a TVI, ou a TVI 24, elaborem agora, ao redor desta realidade já conhecida, uma trintena de programas, porque o que está aqui em jogo é incomensuravelmente mais grave que os casos apresentados como ligados à IURD. E de quem foi a culpa? Da China, pois claro!

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