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Borrasquinha

Mário Centeno, para mal dos seus pecados, teve o azar de ser sério, tecnicamente honesto e competente, reconhecido pelos seus pares no plano internacional, para mais com um doutoramento…em Harvard.

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Na peugada do há dias por mim referido a propósito do forte incêndio lançado pelo Presidente Marcelo Rebelo de Sousa na sua visita à Autoeuropa, tudo ao redor de uma espécie de crucificação indireta de Mário Centeno, na sequência de ter aplicado a legislação em vigor sobre o montante a que estava obrigado a emprestar ao Fundo de Resolução, posteriormente destinado ao Novo Banco, surgiu agora um ligeiro fogachito, mais uma vez em torno do nosso Ministro das Finanças.

Numa das suas visitas a um mercado público, destinada a motivar os portugueses a crerem na segurança resultante do recente desconfinamento, o Presidente da República, respondendo a uma qualquer pergunta de certo jornalista, explicou – no espetro do visível e audível, claro – que os portugueses, na perspetiva do trabalho de Mário Centeno nas suas funções de Ministro das Finanças, devem estar gratos. Bom, é a verdade evidente.

Acontece que o jornalista que comentava o que se havia ali passado, referiu que o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa havia sido questionado sobre que fato servia melhor a Mário Centeno: o de Ministro das Finanças, ou o de Governador do Banco de Portugal? Simplesmente, a este propósito, as únicas palavras do Presidente da República apresentadas na reportagem apenas referiam o óbvio, ou seja, que os portugueses devem estar gratos a Mário Centeno pela sua ação como Ministro das Finanças.

Deste modo, fica-se sem saber se a resposta foi mais ampla – duvido – e se respondeu plenamente àquilo sobre que, aparentemente, foi questionado, ou se simplesmente manobrou a agulha, de modo a não ter que responder à pergunta em causa. Mas o que todo este episódio logo me trouxe ao pensamento foram as palavras de Salazar, no Porto, em 7 de janeiro de 1949: …neste país, onde tão ligeiramente se apreciam e depreciam os homens públicos,…

Aplicam-se estas palavras, qual luva da melhor qualidade, à campanha que se tem vindo a organizar contra Mário Centeno, no sentido de fazer com que não venha a suceder a Carlos Costa na liderança do Banco de Portugal. Uma campanha que tem vindo a ter na grande comunicação social, como já se dera na I República, um elemento essencial de intriga e de criação de perturbação política.

Como referiu muitíssimo bem o Presidente da República, Mário Centeno desempenhou as suas funções de Ministro das Finanças servindo muitíssimo bem Portugal e os portugueses. Infelizmente, a inveja é mato em Portugal, como tão bem apontou Salazar naquele seu discurso que ficou célebre. E cada um de nós sabe que é esta a realidade presente na maneira de ser portuguesa: em vez de se dizer que foi bom, os portugueses dizem que podia até ter sido melhor… E esta inveja vai da ignorância atrevida à maior qualidade intelectual traumatizada

Mário Centeno, para mal dos seus pecados, teve o azar de ser sério, tecnicamente honesto e competente, reconhecido pelos seus pares no plano internacional, para mais com um doutoramento…em Harvard. Bom, há que reconhecer que um concidadão nosso com um tal quilate nunca poderá deixar, entre nós, de fazer crescer a inveja de um modo quase hiperbólico.

Desta vez, pois, não tivemos já uma borrasca, como se deu naquela bivisita à Autoeuropa. Tivemos, isso sim, uma mui ligeira borrasquinha, aparentemente sem condições para gerar nova ondulação com grau 7 na Escala Beaufort. Como diz alguém por aí, isto anda tudo ligado.

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