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Avisei bem a tempo e horas…

Um dado é certo e isso o Primeiro-Ministro conhece bem: o Governo tem de governar bem, os governantes têm de ser criteriosamente escolhidos, deve utilizar bem os anos para que foi eleito, com maioria absoluta, pelos portugueses e deve utilizar, ao longo do tempo global previsto, as tais verbas irrepetíveis da União Europeia,

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O discurso de Ano Novo aos portugueses do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa veio mostrar, no mínimo, dois dados: por um lado, que o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa já se terá dado conta da ação da grande comunicação social contra o Governo de António Costa, deitando mão de casos e casinhos de todo o tipo, e, por outro lado, que eu tinha razão quando adverti para os consequências de Marcelo Rebelo de Sosa ascender a Presidente da República.

Os de boa memória certamente recordam o caso das armas de Tancos. Em resumo, o raciocínio jornalístico era este: o chefe de gabinete do Ministro da Defesa soube do caso, e não contou ao ministro?!; portanto, terá de ter contado ao Primeiro-Ministro, e este…não contou a… Mas o raciocínio ficava-se por aqui, dado que a prosseguir com tal baralhada lógica, acabaria por atingir-se o Presidente da República. Depois, ainda surgiu o caso do Chefe da Casa Militar também ter falado com alguém, mas também nunca os nossos jornalistas esburacaram mais por aqui.

Sobreveio o julgamento do caso, e José Azeredo Lopes, que fora o ministro em causa, lá acabou por ser absolvido, o que um conhecimento mínimo da pessoa logo determinaria ter de ser o saldo final da sua acusação. Ao final de todas as contas, tudo terminou em…quase nada. E o que se dizia ao tempo? Pois, que o PS pretendia um fogacho, dado que estaria nas lonas. Caramba, mas o que se seguiu, depois daquela garantia plena – pleníssima mesmo – de que se estava perante um empate técnico, foi a atual…maioria absoluta, conseguida com a liderança de António Costa.

Em princípio, nas ditas democracias, uma maioria absoluta é para se manter até ao final do mandato, não para ser torpedeada pelo Presidente da República, mormente através de discursos compreendidos como de ameaça, e tanto pior quando os mesmos só surgem na peugada das críticas dos partidos derrotados, um dos quais, em franca agonia, sendo o do próprio Presidente da República.

Para esta realidade chamei eu bem a atenção dos que acompanham os meus textos, em boa medida por via do meu interesse pela política, por nela ter também vivido, antes e depois da Revolução de Abril, mas por igual pelo acúmulo de conhecimento propiciado pelos meus 75 anos. Chamei a atenção no seio das convivências correntes, mas também em dois ou três escritos meus.

Nesta segunda-feira de 2023, dia segundo do presente ano, já foi possível escutar o coro de reações transmitidas pelos partidos da atual oposição. Primeiro, a voz do PS, de modo a não ficar na memória, e depois as da oposição, por ordem crescente de representação parlamentar, o que permitiu que tenha sido o PSD a falar em último lugar, o que se deu com aquela intervenção de Luís Montenegro onde o essencial se pode resumir deste modo: o Governo de António Costa está fracassar e Fernando Medina é um peso morto, digamos assim. Portanto, talvez poucos já recordassem o que disse, logo em primeiro lugar, o PS.

Um dado é certo e isso o Primeiro-Ministro conhece bem: o Governo tem de governar bem, os governantes têm de ser criteriosamente escolhidos, deve utilizar bem os anos para que foi eleito, com maioria absoluta, pelos portugueses e deve utilizar, ao longo do tempo global previsto, as tais verbas irrepetíveis da União Europeia. E, depois, é preciso que a sorte sorria ao Governo, esperando que o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa não venha a retomar aquela posição do seu antecessor já perto do final do segundo Governo de José Sócrates. Vamos esperar…

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