Informativo Digital de Trás-os-Montes e Alto Douro

Projeto “Alboroço” tem quebrado o silêncio na Terra de Miranda

Durante o último ano e meio, vários territórios ficaram sem grande oferta cultural disponível, especialmente aqueles que, em tempos de normalidade, já sofriam com a falta dessas mesmas dinâmicas de programação. Sem as romarias e os típicos arraiais de verão, sem as tradicionais festas de inverno, o silêncio tomou conta das aldeias do nordeste transmontano.

1.031

Publicidade

As freguesias do concelho de Miranda do Douro estão a receber música e cultura, numa iniciativa que foi designada como “Alboroço”, ou Cultura em Circulação pela Terra de Miranda. Este festival nómada tem partilhado pelas populações do concelho expressões artísticas como música, performance, teatro e circo contemporâneo.

Desde o dia 25 de julho, as treze Freguesias do Concelho de Miranda do Douro têm sido palco de espetáculos de diferentes linguagens e expressões artísticas como música, performance, teatro e circo contemporâneo. “Quisemos que o Alboroço fosse um ciclo desafiador de programação por acreditarmos na capacidade destes públicos em abraçar o novo ou a criação contemporânea, mas mais do que isso, sabíamos que esta era uma oportunidade de cruzar olhares outrora distantes, tão distantes quanto a geografia e o momento que empurram o interior para o seu interior”, refere Nélson Lopes, sócio-gerente da Agência 3, que organiza este programa.

A pandemia da Covid-19 levou à paralisação de praticamente todo o setor cultural, deixando numa situação de grande vulnerabilidade artistas, estruturas culturais, técnicos independentes e muitos outros agentes das artes e do espetáculo.

Durante o último ano e meio, vários territórios ficaram sem grande oferta cultural disponível, especialmente aqueles que, em tempos de normalidade, já sofriam com a falta dessas mesmas dinâmicas de programação. Sem as romarias e os típicos arraiais de verão, sem as tradicionais festas de inverno, o silêncio tomou conta das aldeias do nordeste transmontano.

Foi neste contexto adverso que Nélson Lopes, sócio-gerente da Agência 3, empresa sediada em Bragança que se dedica à organização de eventos, em particular de arraiais e festas populares, percebeu uma oportunidade. “Para podermos dar continuidade à nossa atividade teríamos que nos reinventar e encontrar soluções que dessem resposta aos desafios colocados pelas restrições impostas”, sublinha.


Vídeo de Adélia em Vila Chã da Braciosa

De uma conversa informal com Pedro Cepeda (Transmute) e João Carvalho (Wemedia), surgiu a ideia de criação de um projeto que tivesse em consideração a democratização do acesso à cultura, que fosse fonte instigadora de novas reflexões sobre os territórios rurais do interior e que inspirasse releituras acerca da relação das comunidades com o espaço público, com o património e com a arte. Estavam lançadas as bases para a criação do “Alboroço” – Cultura em Circulação da Terra de Miranda.

São Martinho de Angueira acolheu o primeiro concerto do Alboroço que contou com a presença da voz e do contrabaixo de Aníbal Zola. Seguiram-se os espetáculos de Igor Ferreira (Constantim), Bia Maria (Malhadas) e Sons e Letras (Genísio).

Um Ruído à Portuguesa irrompeu no silêncio de Ifanes no dia 6 de agosto, trouxe à memória outros tempos com a animação a tomar conta das ruas da aldeia mirandesa. Francisca Martins, carinhosamente tratada por Dona Chica, acompanhou a banda em todo o percurso com uma energia contagiante que contrasta com o ar frágil e os quase oitenta anos de vida e de memórias. “Isto é muito bom, muito bom, são muito guapos todos. Olhe, já cresci assim um bocado”, contou emocionada a habitante de Ifanes.

Adélia, projeto musical que encontra inspiração na cantadeira Adélia Garcia de Caçarelhos, Vimioso, e que homenageia todas as cantadeiras de norte a sul de Portugal, encantou os presentes em Vila Chã da Braciosa.

Crassh Duo – Fraga do Puio (Picote)

No último espetáculo da primeira fase do Alboroço, o espaço idílico da Fraga do Puio, em Picote, foi invadido pela energia contagiante dos Crassh Duo, numa performance que combinou percussão, circo e comédia visual. “Após as primeiras sete apresentações, o balanço não podia ser mais positivo. Apesar do uso de máscaras não nos permitir ver os sorrisos, temo-los sentido através do olhar das pessoas que têm feito parte deste Alboroço e que nos têm dado conta da importância deste projeto para esbater o isolamento que a pandemia tem provocado nas aldeias”, garante Nélson Lopes.

O Alboroço está de regresso no dia 26 de agosto, em Sendim, com um concerto influenciado pela música clássica e jazzística de UniVersus Ensemble. Nuvem Voadora (Duas Igrejas), Companhia Absurda (Silva), Boca de Cão (Palaçoulo) e Ciranda (Póvoa) fazem também parte do programa que tem o seu epílogo em Miranda do Douro, no dia 4 de setembro, com um concerto do cantautor português JP Simões.

Alboroço – Cultura em Circulação na Terra de Miranda é um projeto promovido pela Agência 3 em colaboração com a Transmute e a Wemedia. Conta com o apoio do Ministério da Cultura e do Fundo de Fomento Cultural, no âmbito do programa Garantir Cultura, conta ainda com o apoio da Juntas de Freguesia e do Município de Miranda do Douro.

Publicidade

Este website usa cookies que permitem melhorar a sua experiência na internet. Pode aceitar ou recusar a utilização desta tecnologia Aceito Política de Privacidade