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A vacinação europeia

O que hoje se pode depreender deste falhanço sistémico mostra duas componentes: garantir mercado bem cedo; servir primeiro os mais poderosos; e dar corpo à vaidade geopolítica em face da Rússia, com a primeira vacina do mundo, por si criada, a Sputnik V.

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Sem receio de ser injusto, pode já hoje dizer-se que a vacinação europeia, com tudo o que comporta, se mostrou como um indiscutível e preocupante fracasso. Depois do que se viu com a política de Donald Trump nos Estados Unidos, cujo resultado vai já em meio milhão de mortos pela COVID-19, a União Europeia começa a dar mostras de vir a ser ultrapassada, a curto prazo, em termos de recuperação nacional, pelos norte-americanos.

No meio de tudo isto, aqui numa perspetiva ocidental, não param de nos surgir alterações à estrutura contra-tual estabelecida entre a União Europeia e, ao menos, duas grandes empresas farmacêuticas produtoras de vacinas. O contratualizado passou a metade, agora com a garantia, a ser tomada pelo nosso lado, de que deverá ser visto como mais uma promessa a falhar. Lá diz o velho ditado popular digno de registo: quem garante e não cumpre uma vez, não cumpre nunca.

O que hoje se pode depreender deste falhanço sistémico mostra duas componentes: garantir mercado bem cedo; servir primeiro os mais poderosos; e dar corpo à vaidade geopolítica em face da Rússia, com a primeira vacina do mundo, por si criada, a Sputnik V. Infelizmente, os resultados de tudo isto estão à vista, mostrando as referidas farmacêuticas como os velhos alunos preguiçosos, sempre fazendo, e depois refa-zendo, os seus planos para os exames. Hoje, indubitavelmente, a União Europeia enfrenta obstáculos no seu programa de vacinação devido à falta de vacinas.

No entretanto, a Sputnik V está já registada, ao menos, numa vintena de países, incluindo a própria Rússia, que foi, obviamente, a primeira a operar o seu registo. Uma vacina que revelou uma eficácia de 91,6%. Toda-via, como muitíssimo bem referiu o Primeiro-Ministro húngaro, a União Europeia é a responsável pela len-tidão na distribuição das vacinas, pelo que nos determinámos a recorrer à Sputnik V.

Acontece hoje que boa parte dos Estados da Comunidade Internacional fazem fila para receber a Sputnik V depois dos resultados revistos por pares e publicados na revista médica The Lancet mostrarem que a vacina russa protege contra o coronavírus tão bem como as vacinas dos Estados Unidos e da Europa, e com muito mais eficácia do que as chinesas.

Ora, a Sputnik V está também a ser fabricada em diversos outros Estados, como a Índia, a Coreia do Sul e o Brasil. Simplesmente, ao nível europeu, e para lá do silêncio noticioso sobre a Sputnik V, fruto da histórica má vontade ocidental contra a Rússia, a sua utilização poder levar meses, ou nem mesmo vir a ser utilizada, talvez com a exceção húngara e de mais um ou dois Estados. Parece, até, que a Alemanha também pretende vir a fabricar a referida vacina e a utilizá-la e vendê-la. Para a Rússia, o problema está nas limitações da produção da vacina, desde má muito assumidas, tal é a procura vinda de todo o lado.

Mas há um dado que é certo e se constitui num ativo moral muito forte para a Rússia e para o Presidente Vladimir Putin: se muitos dos países do subcontinente americano dispõem de vacinas, à boa vontade russa o devem. Talvez também à China, mas não à glutona máquina neoliberal que todos suga e quase nada dá em troca. Teve António Guterres toda a razão, quando ontem referiu que a distribuição mundial de vacinas se está a mostrar um ultraje moral. Mas lá está, faltou-lhe um elogio aberto e sincero à Rússia e ao Presidente Vladimir Putin. E também à política chinesa no domínio do auxílio à parte mais pobre do mundo, que é a enormíssima maior.

Deixo o leitor com este pedido: esteja atento aos noticiários das nossas televisões, e logo se dará conta da completa ausência informativa ao redor da Sputnik V, da sua procura e da sua distribuição no mundo. E tudo isto em simultâneo com os sucessivos falhanços produtivos por parte das farmacêuticas oci-dentais. Objetivamente, o que sempre pretenderam foi garantir mercado bem cedo, servir primeiro os mais poderosos e dar corpo à vaidade geopolítica em face da Rússia, com a primeira vacina do mundo, por si criada, a Sputnik V.

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