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A vacina

Os profissionais da área médica, professores e outros grupos de risco serão os primeiros a ser vacinados, como também deverá vir a dar-se com militares e polícias.

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O Governo da Rússia, pela voz de Vladimir Putin, anunciou que a vacina contra o novo coronavírus, desenvolvida no país, foi aprovada para uso e que uma de suas filhas já foi inoculada. Durante uma reunião governamental transmitida pela televisão, Vladimir Putin disse que a vacina se mostrou eficiente durante os testes, oferecendo imunidade duradoura contra o novo coronavírus: esta manhã, pela primeira vez no mundo, uma vacina contra o novo coronavírus foi registrada, e eu sei que é bastante eficaz e que proporciona imunidade duradoura. A esta vacina foi dado o nome de Sputnik V.

Os profissionais da área médica, professores e outros grupos de risco serão os primeiros a ser vacinados, como também deverá vir a dar-se com militares e polícias. Note-se que já no início de agosto o Ministério da Saúde da Rússia havia anunciado que os ensaios clínicos da vacina contra a COVID-19 haviam sido conclu-ídos, e que o país havia iniciado a etapa de registo. Assim, a Rússia é o primeiro país do mundo a registrar e aprovar, para uso da população, uma vacina contra a COVID-19.

Como teria sempre de dar-se, de pronto surgiu algum ceticismo na comunidade científica internacional e mesmo por parte de muitos cientistas russos. A tudo isto, porém, importa colocar a nossa atenção em funcio-namento e olhar a História do Mundo. É o que vou agora tentar fazer.

Em primeiro lugar, Vladimir Putin é um homem culto, experimentado na espionagem e na política, e não tomaria uma tal decisão sem garantias mínimas de técnicos competentes na qualidade e eficácia do fármaco produzido.

Em segundo lugar, os nossos técnicos mais referentes sempre nos explicaram que a produção de uma vacina costuma durar até perto de dez anos. Todavia, não faltam notícias, a um ritmo diário, de que diversas vacinas poderão surgir ainda este ano. Donald Trump – situa-se a anos-luz de Vladimir Putin – ainda ontem referiu que a vacina a adotar nos Estados Unidos será, em primeiro lugar, para os norte-americanos, e só depois para o resto do mundo. Portanto, também Trump afirma que essa vacina, a ser usada pelos Estados Unidos, está prestes a chegar.

Em terceiro lugar, as chamadas de atenção da Organização Mundial de Saúde, (OMS), valem hoje muito pouco, dado que os Estados Unidos até acusaram o líder da OMS de ter sido comprado pelas autoridades chinesas. E houve mesmo Estados da União Europeia que também pediram um inquérito ao que possa ter-se passado entre a OMS e a China. Um dos tais inquéritos a realizar por uma entidade independente, como a muito bem recusada pelo Presidente do Líbano. Infelizmente, a generalidade das instituições, internacionais ou nacionais, têm hoje muito pouca credibilidade.

Em quarto lugar, tem-se vindo a assistir a uma corrida à vacina contra a COVID-19, sem que a nossa comu-nidade médica, ou científica, ou jornalística, se tenha determinado a chamar a atenção para que tal se constitui num fator com importância geopolítica. Só agora, quando a Rússia nos surge com a sua vacina, é que os pruridos se levantam. Um pouco como se deu com os Estados Unidos, que de pronto enviaram uma sonda para Marte, mas só depois o mesmo ter sido feito pela China…

E, em quinto lugar, nunca o Ocidente poderia aceitar que a Rússia, ou a China, conseguissem o feito que agora Vladimir Putin revelou ao mundo, através da reunião do seu Governo por videoconferência. Existe, no Ocidente, um horror histórico em face da Rússia de sempre, bem como do que provém do Oriente. No fundo, mais manifestações de racismo. E esta realidade reflete-se no domínio da grande comunicação social, onde a censura – ao menos a autocensura – está sempre presente, como há muitas décadas me forçou a perceber um notável académico.

Perguntará agora o leitor: o Hélio aceitaria esta nova e primeira vacina russa? Não, claro que não! Mas não aceitava esta nem nenhuma outra. Teria de jogar com o acaso, esperando para ver e ter certezas. É que eu, como quase todos nós, também tenho medo. E cá vou continuar a ler uma das minhas lembranças deste aniversário mais recente: O FUTURO POR CONTAR, de Ivan Krastev. Em todo o caso e para já, os meus parabéns aos cientistas russos que, segundo Putin, terão produzido a primeira vacina contra o novo corona-vírus.

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