Informativo Digital de Trás-os-Montes e Alto Douro

A promoção de José Luis Carneiro

Vive-se um tempo que deve ser lido à luz do que se viu no passado e que voltou agora a ver-se na Argentina: se se está descontente com a governação, deve evitar-se uma mudança para pior, o que se pôde ver, fatidicamente, com a decisão democrática dos alemães que conduziu Hitler ao poder.

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Ninguém tem já qualquer dúvida de que se vive um tempo de fortíssima degradação da vida democrática. Uma realidade que está longe de ser só nossa, como no passado domingo se pôde ver na Argentina. A verdade é que também o mecanismo democrático acabou por conduzir Hitler ao poder. E pudemos já ver, em tempo recente, o que se passou com Trump nos Estados Unidos, e com Bolsonaro no Brasil. E o tempo, como se sabe, não para.

Entre nós está já agora a decorrer a peleja interna à liderança do PS, sendo iniludível o apoio da Direita, mormente por via da grande comunicação social, a José Luís Carneiro. Fazem-se referências aos candidatos, mas sempre lembrando isto ou aquilo sobre a ação governativa de Pedro Nuno Santos, ao mesmo tempo que se coloca José Luís Carneiro em condições de realizar autoelogios. E se uma comparação é feita por Pedro Nuno Santos, como resposta a uma pergunta de gente do outro lado, logo a mesma é apontada como um baixar da qualidade da própria campanha ora em desenvolvimento.

Acontece, todavia, que os portugueses não são tolos e já se deram conta desta promoção da imagem de José Luís Carneiro por parte da grande comunicação social, hoje completamente alinhada com a Direita, e mesmo com a Extrema-Direita. De modo que a conclusão é simples: a Direita prefere, e de muito longe, José Luís Carneiro a Pedro Nuno Santos. E como não teria de ser assim, se o próprio José Luís Carneiro, numa atitude de verdadeira submissão à estratégia do PSD, se prontifica a servir-lhe de apoio num futuro, e que mais não será que um autêntico cheque em branco político. O raciocínio é simples: em nome de se evitar um empoderamento do Chega, dá o PS ao PSD uma carta completamente em branco. Bom, caro leitor, seria o fim do Estado Social…

Vive-se um tempo que deve ser lido à luz do que se viu no passado e que voltou agora a ver-se na Argentina: se se está descontente com a governação, deve evitar-se uma mudança para pior, o que se pôde ver, fatidicamente, com a decisão democrática dos alemães que conduziu Hitler ao poder. Hoje, tudo está bem à vista e diante dos nossos olhos: praticar um ato democrático pode até ser muitíssimo perigoso, para o que basta ir-se atrás de balelas florais. À beira do meio século de vida da III República, os portugueses terão de saber separar o trigo do joio, e de perceber o que é verosímil e o que não passa de conversa para aproveitar mais que justos descontentamentos. Cuidado, porque o leitor já tem o pássaro na mão…

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