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A Passadeira

Objetivamente, o PSD e a generalidade da Direita e da Extrema-Direita vivem em pânico. Lá tiveram ontem as palavras do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, que, com a ajuda essencial da grande comunicação social, estão a tentar utilizar como arma de arremesso político contra o Governo de António Costa. Por sorte, a enorme maioria dos portugueses já se deu conta de que neste tema da COVID-19, e por quase todo o mundo, simplesmente nada corre bem. E não conhecemos nós o futuro…

Felizmente que, neste domínio, há nunca o Presidente da República escamoteou responsabilidades, voltando agora a indicar o que entende dever ser seguido: um desconfinamento faseado. Claro está que o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa não nos indica, com pormenor, como deverá ser feito esse faseamento, pelo que, se der bom resultado, lá foi ele que deu a sugestão, e se der mau, a culpa tentará, pela oposição e pela grande comunicação social, ser assacada ao Governo de António Costa. Os nossos jornalistas, analistas, opinadores e comentadores chamam a isto saber fazer política.

No meio desta brincadeira política lusitana, eis que começa a aparecer a segunda vaga do passismo, parece que ao redor de uma qualquer messiânica conferência de Pedro Passos Coelho, creio que lá pelo final de março. A verdade é que há um dado a não esquecer: Pedro Passos Coelho foi o único que conseguiu encostar às cordas do ringue da política o nosso concidadão Marcelo Rebelo de Sousa, quando ainda era só comentador televisivo dominical.

De modo concomitante, e depois de já ter referido em entrevista as suas preferências em matéria política para a Direita e Extrema-Direita, eis que André Ventura, a atual grande referência dessa área global, lá voltou nesta passada quinta-feira a referir-se a Pedro Passos Coelho como o seu termo de comparação para o exercício das funções de António Costa. Foi, como se percebe, mais uma fortíssima bofetada política em Rui Rio e no seu PSD, que depois do erro açoriano, continua silencioso perante tudo quanto André Ventura possa dizer sobre si, direta ou indiretamente. E o mesmo se passa com os restantes militantes diretivos do PSD.

Percebe-se, pois, agora com clareza límpida, que André Ventura e Pedro Passos Coelho funcionam como uma espécie de irmãos complementares, mas unidos no mesmo objetivo. Se hoje André Ventura ajuda a recolocar Pedro Passos Coelho, este, no PSD, foi dar àquele o seu apoio presencial na corrida à autarquia de Loures. Lá pelo meio, sempre os africanos e os ciganos. E tudo na melhor das boas. Se André grita a plenos pulmões, chamando Passos Coelho, este mantém-se silencioso, contando com a eficácia da grande comunicação social e com as intervenções, suscetíveis de não desagradar a ninguém, do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa. É, indubitavelmente, a corrente neoliberal em movimento.

O que André Ventura tentou nesta quinta-feira foi ajudar a estender uma espécie de passadeira vermelha para o regresso de Pedro Passos Coelho. Seria um outro tipo de dois em um. Ou seja, o mesmo. O que significa que a decisão açoriana de Rui Rio só foi má para si mesmo, porque o PSD, com ele ou com Passos Coelho, terá sempre de se vergar a André Ventura, porque este é a atual grande referência dessa área global E não deixa de ser interessante que, com um risco destes à vista, o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa continue como se nada esteja a passar-se. Se pede ao Governo um desconfinamento faseado, já do falhanço europeu nas vacinas não se lhe ouve uma palavra… Por tudo isto, volto a dizer o que escrevi há uns anos: eu bem avisei…

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Publicado por
Hélio Bernardo Lopes