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A Nave dos Loucos

Trata-se de uma sociedade que nasceu na violência, e que assim se tem mantido ao longo do tempo, tanto no plano interno, como no internacional. Como muito bem salientou o líder espiritual do Irão, os Estados Unidos levaram ao mundo a pobreza, a miséria, a violência e a exploração dos povos.

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Custa-me acreditar que alguém, suficientemente independente, possa deixar de olhar os Estados Unidos como uma sociedade de loucos. Uma sociedade extremamente estratificada, mas no pior sentido que a ideia pode comportar, dado que este mecanismo acaba por se caraterizar por uma hierarquização de importância e de poder social, acabando, naturalmente, por uma atitude social marcada pela discriminação social.

Trata-se de uma sociedade que nasceu na violência, e que assim se tem mantido ao longo do tempo, tanto no plano interno, como no internacional. Como muito bem salientou o líder espiritual do Irão, os Estados Unidos levaram ao mundo a pobreza, a miséria, a violência e a exploração dos povos. E teve aqui a mais cabal razão. Objetivamente, eles podem apoiar num ponto os piores males do mundo, para logo num outro os recusarem a toda a prova.

Objetivamente, não têm um ínfimo de valores, para lá dos interesses mesquinhos ligados ao dinheiro.

Ora, a violência atrás referida encontra-se hoje bem presente nos constantes tiroteios que surgem por todo o território norte-americano. Num certo sentido, até se podem fazer apostas, olhando a data do próximo tiroteio, o número de mortos e o Estado onde possa vir a ter lugar. Um fenómeno que se prende com a facilidade com que se adquire uma qualquer arma, mesmo que mui perigosa e em quase todas as idades. Um mecanismo suportado na Segunda Emenda, surgida pelo facto de ser a sociedade norte-americana do tempo assaz perigosa. No fundo, a solução adotada acabou por tornar-se na causa do crescimento do mal que pretendia evitar. No meio de tudo isto, a polícia, um verdadeiro Estado dentro do Estado.

Algo inacreditavelmente, num dia destes, um sem-abrigo afogou-se no Arizona, ao mesmo tempo que três polícias observavam a cena sem prestar socorro. Uma realidade de que existe documentação ilustrativa, mas que mostra o desprezo com que aqueles agentes policiais – as polícias, claro está – tratam os seus concidadãos, sempre pautado, como por ali se percebe, pela condição social destes. Bom, caro leitor, nem no tempo do Estado Novo uma tal situação é pensável. De resto, como a do homicídio de George Floyd, exemplo visível dos mil e um casos semelhantes que se passam, com elevada frequência, no país.

Lamentavelmente, esta autêntica nave de loucos, que são os Estados Unidos, não só não consegue mudar esta horrorosa organização social, como ainda se dá ao luxo de andar pelo mundo a botar ventarolas na defesa dos Direitos Humanos, e do Direito Internacional Público, embora só nos casos que entenda por convenientes! Um momento em que convém recordar o crime de alta traição da equipa eleitoral de Ronald Reagan, ao negociar com o Irão, através de Israel, a venda de armas ao primeiro, com a condição de continuar o sequestro dos elementos da Embaixada dos Estados Unidos em Teerão, a fim de pôr em causa a reeleição de Jimmy Carter. Um crime de alta traição que acabou por levar ao homicídio de Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa, infelizmente mantidos no mais cabal silêncio pelos políticos portugueses.

Teve razão, pois, o líder espiritual do Irão: os Estados Unidos levaram ao mundo a pobreza, a miséria, a violência e a exploração dos povos.

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