Informativo Digital de Trás-os-Montes e Alto Douro

A fantástica pândega americana

Estados Unidos em termos constitucionais? Tudo está previsto, embora possa não o estar. Uma fantástica pândega constitucional e legal! Uma borracheira!!

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O acaso da vida permitiu que o mundo tenha podido assistir (e em direto!) ao inesquecível episódio do assalto ao Capitólio, em Washington, por parte dos apoiantes de Trump, O Bronco, depois de este os ter incentivado a encaminharem-se para o local. E não custa reconhecer que os livros de História Universal, ou os de História dos Estados Unidos da América, conterão amplos capítulos em torno deste mandato de Trump, O Bronco. Surgirão mesmo tratados, teses e dissertações sobre o que foram estes quatro anos da presença de um sujeito como este na Casa Branca e na política mundial. Portanto, reflitamos um pouco sobre o que nos foi dado ver (e em direto!).

Em primeiro lugar, o cabalíssimo falhanço da segurança do Capitólio. A verdade é que não se tratou de um falhanço, antes da atitude derivada das polícias, nos Estados Unidos, se terem rendido à retórica de apoio sem limites de Trump, O Bronco.

Em segundo lugar, imagine o leitor que este assalto tivesse sido perpetrado por negros. Bom, é simples imaginar o morticínio que ali viria a ter lugar. E tudo, logo, com Trump, O Bronco, a apoiar a ação policial, invetivando os criminosos invasores e negros.

Em terceiro lugar, recordo as palavras de Bento Rodrigues, no noticiário da SIC, na hora do almoço: uma tentativa de golpe de Estado. Um dado objetivo e indiscutível, logo corroborado por uma norte-americana atingida pelo gás lacrimogéneo: nós estamos a invadir o Capitólio, isto é uma revolução. Portanto, surge a questão: irá Trump, O Bronco, ser responsabilizado pelo que se passou? Claro que não! E sabe o leitor porquê? Pois, porque os Estados Unidos, hoje como sempre, não são um Estado de Direito, e porque até Trump se pode perdoar a si mesmo e a familiares e amigos! Simplesmente inimaginável!!

Em quarto lugar, a brutal fuga dos apaniguados de Trump, O Bronco, que logo desapareceram como que em combate. Já reparou que Mike Pompeo se evaporou…? E deu-se conta de que, afinal, nada funciona nos Estados Unidos em termos constitucionais? Tudo está previsto, embora possa não o estar. Uma fantástica pândega constitucional e legal! Uma borracheira!!

Em quinto lugar, o leitor já se deu conta de que os nossos indefetíveis defensores de Trump, O Bronco, também se evaporaram? Que é feito, para lá de André Ventura – recorde-se o que André escreveu sobre as consequências de uma vitória de Joe Biden…–, dos nossos supremos intelectuais, que nos surgiam nas televisões a defender a ação política de Trump, O Bronco, no seu mandato? E apercebeu-se de que depois de apontarem o cinzentão Biden, lhe vêm agora reconhecer um valor político inesperado…? Era cinzentão, mas agora já é dourado. Verdadeira alquimia.

Em sexto lugar, convém não olhar apenas aqueles dois milhares de loucos que por ali andaram a invadir o Capitólio, porque Trump, O Bronco, recebeu quase sete dezenas e meia de milhões de votos de concidadãos seus. Como agora se percebeu ao vivo, há duas Américas no interior da grande América, consequência de uma sociedade desumana, anormalmente desigual, com uma fantástica mancha de pobreza, com um racismo estrutural, omnipresente e ativo, que sempre viveu para a guerra, um pouco por todo o mundo, e onde a violência está sempre presente a cada esquina.

E, em sétimo lugar, o que eu pude já escrever há um tempo atrás: Trump, O Bronco, pode ter sido o vencedor das recentes eleições, embora a probabilidade deste acontecimento seja muito pequena. Um caso que, a dar-se, poderia ser derivado de algo similar ao que se deu, entre nós, com a histórica urna de Chelas: o seu roubo foi, quase com toda a certeza, obra de militantes do PSD e do PS, tendo como finalidade impedir a continuidade de João Soares em Lisboa. É que se havia criado a crença na regra empírica de que quem ganhasse Lisboa, chegaria a Belém. E havia muita gente, mesmo no seio do PS, que desejava pôr um fim no que entendia como sendo uma monarquia soarista.

Acontece que muita gente norte-americana de poder, democrata ou republicana, dos setores mais diversos, já não queria que Trump continuasse para um segundo mandato. E, como por igual escrevi, um segundo mandato era-lhe essencial para pôr um fim da democracia norte-americana, tornando-se um ditador e fazendo alastrar ao mundo a sua influência. Como escrevi, nasceria, aí, a grande ditadura mundial…

O mundo pôde ver, em direto, o que realmente são os Estados Unidos, com a tal sua constituição que é um tudo em nada. É um Estado, dito democrático, mas onde a lei não é igual para todos. Trump, O Bronco, até se pode perdoar a si mesmo, aos seus familiares e aos seus amigos!!

No meio de tudo isto, esta verdade, que aqui asseguro honrosamente: passados os primeiros instantes sobre o que estava a decorrer, bom, nunca mais parei de rir. Ainda hoje, quando visiono aquelas imagens, volto a sorrir de um modo bastante aberto. Eu estou certo da minha previsão sobre o que se daria com a presença de Trump na Casa Branca em mais um mandato, mas nunca imaginei assistir a uma cena como as desta invasão. Também previ – em 1982, em férias na Nazaré – que viriam a ser lançados aviões sobre as cidades, mas nunca me ocorreram as cenas que pude agora ver. É a fantástica pândega americana.

Por fim, uma notinha: já reparou que os que dizem que a imagem de Portugal está terrivelmente marcada pelo falso caso do procurador José Guerra, de pronto nos dizem que os Estados Unidos não ficam minimamente beliscados com o que agora se viu…? E então…?

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