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A entrevista de António Costa

No respeitante à Operação Marquês, o Primeiro-Ministro foi de uma clareza límpida: o assunto decorre no seio do Sistema de Justiça, com a separação dos poderes presente, e à luz da legislação em vigor, mesmo que, porventura, tenham existido violações diversas ao longo do processo, como as cons-tantes e nunca descobertas violações do segredo de justiça.

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Não vou aqui escalpelizar a mais recente entrevista de António Costa, porque a mesma foi extensa e porque o melhor, de facto, é ser o leitor a procurar lê-la, ou escutá-la, mesmo visioná-la com a melhor atenção.

Nesta entrevista, como pôde já perceber-se, sobressaíram três pontos mais referentes, embora tenham existido muitos outros a terem sido abordados. Refiro-me ao caso da pandemia, ao da Operação Marquês e às referências à intervenção política de Rui Rio. Naturalmente, não faltou razão ao Primeiro-Ministro, o que, haverá de convir-se, seria difícil não ter lugar. Portanto, vejamos estes três casos.

Quanto à pandemia, a verdade, como o próprio Presidente Marcelo Rebelo de Sousa referiu na sua visita à Madeira e ao Porto Santo, é que aos portugueses compete agora ajudar, e de um modo primacial, a garantir que os dados da pandemia, para lá de não piorarem, ainda venham a melhorar. Foi sempre assim, embora a oposição e a grande comunicação social apontassem sempre o Governo como o único responsável por um êxito qualquer. O preço de nada ter, de válido, para dizer.

No respeitante à Operação Marquês, o Primeiro-Ministro foi de uma clareza límpida: o assunto decorre no seio do Sistema de Justiça, com a separação dos poderes presente, e à luz da legislação em vigor, mesmo que, porventura, tenham existido violações diversas ao longo do processo, como as constantes e nunca descobertas violações do segredo de justiça. Nunca seria aceitável uma qualquer interferência dos restantes órgãos de soberania sobre o desenrolar do processo que vem tendo lugar.

Por fim, o modo de intervenção política de Rui Rio. Bom, nunca seria difícil a um qualquer governante dizer daquela o que se ouviu ao Primeiro-Ministro na sua entrevista. Depois daquele tão significativo acordo com o Chega! nos Açores, o que se tem visto à superfície da política é uma realidade muitíssimo antiga, já desde o início do velho PPD, mostrando que o PSD é um partido de Direita, defensor do liberalismo e hoje fortemente puxado pelas ideias do Chega!. O PSD de hoje seria sempre muito mais próximo de Trump que de Biden. Tal como o Chega! de André Ventura.
A chegada de Donald Trump ao poder, potenciando um movimento consonante no espaço da União Europeia, foi o que permitiu o surgimento, em força, do Chega e do IL em Portugal. Todavia, partidos muitíssimo distintos.

Simplesmente, este surgimento veio encontrar um PSD, agora liderado por Rui Rio, que é o velho PPD, nada social-democrata, naturalmente de Direita, e agora completamente condicionado pelo próprio Chega! de André Ventura.

Por fim, a mais recente prova desta tomada do alinhamento político do PSD de Rui Rio – convém ter sempre presente o apoio de Pedro Passos Coelho a André Ventura na corrida deste a Loures – pelo Chega! de André Ventura, e que foi a escolha de Susana Garcia para candidata à liderança da Câmara Municipal da Amadora. Uma decisão política que nos permite exclamar: mais palavras para quê?!

Convém agora que o leitor reflita nestes três pontos da entrevista do Primeiro-Ministro, sendo para mim certo que não deixará de concordar com as respostas e explicações por si dadas.

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