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A Crise dos Mísseis

Esta expressão “crise dos mísseis de Cuba” refere-se à segunda parte do risco que se criou naquele tempo, mas esquece que a mesma foi consequência da “crise dos mísseis da Turquia”. De facto, os mísseis soviéticos estavam a ser colocados em Cuba como resposta estratégica à presença dos mísseis norte-americanos estacionados na Turquia e já apontados para território soviético.

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O Papa Francisco pediu neste domingo para se “aprender com a História, não esque-cendo que o perigo da guerra nuclear já ameaçou o mundo no período em que se iniciou o Concílio Vaticano II há 60 anos”. Estas palavras, lamentavelmente, mostram que o próprio Papa não conseguiu ir além de uma expressão pouco correta, como é de “crise dos mísseis de Cuba”, desde sempre difundida, mas que acaba por traduzir uma parte do que, de facto, se pas-sou.

Esta expressão “crise dos mísseis de Cuba” refere-se à segunda parte do risco que se criou naquele tempo, mas esquece que a mesma foi consequência da “crise dos mísseis da Turquia”. De facto, os mísseis soviéticos estavam a ser colocados em Cuba como resposta estratégica à presença dos mísseis norte-americanos estacionados na Turquia e já apontados para território soviético. Estes é que foram a causa da tentativa de colocar os mísseis soviéticos em Cuba. A verdade é que tudo terminou em bem, com a retirada de ambos os sistemas de armas, embora não se tivesse divulgado toda a verdade, com o seu resultado duplo final.

Infelizmente, o Papa Francisco tinha o dever de ter ido bem mais longe, lembrando, por exemplo, que o mundo conheceu já, pela mão dos Estados Unidos – um caso único na História da Humanidade –, a verdadeira guerra com armas nucleares, para mais contra quem as não tinha, já se encontrando numa extrema penúria e, ao que se tem vindo a saber, até já teria solicitado conversações de paz. E mais: sabe-se que o poder político norte-americano chegou a pensar em realizar uma experiência em Los Alamos para políticos e militares japoneses verem o resultado da referida arma, mas que não o fez com o receio de poder ocorrer um (novo) fiasco. E o mesmo se deu com a ideia de se realizar uma explosão ao largo de Tóquio, com a mesma finalidade, tendo o receio do tal fiasco ressurgido. De modo que se determinaram a proceder como se sabe, sendo que – só agora sei – apenas 1,4 % da massa crítica participou da reação em cadeia – um quase fiasco.

Mais desolador, ainda, foi ter Francisco deitado para o cesto dos papeis a corretíssima explicação que certo político lhe deu, e que ele revelou ao mundo, para a atitude do Governo da Rússia: a constante aproximação da OTAN às fronteiras da Rússia. E depois, vem faltando a este Papa uma iniciativa de paz, depois de tão badalada sempre ter sido a Congregação de Santo Egídio. Não sabemos no que daria, mas sabemos que seria uma iniciativa quase singular, se quisermos ter em conta a de Elon Musk. Sendo aqui deveras sincero, eu esperava mais clareza e assertividade do Papa Francisco.

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