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77 anos sobre um crime sem castigo

Olhando o que está a passar-se na Ucrânia, percebe-se que só a posse de armas nucleares e termonucleares por parte da Rússia impede que esta seja dizimada pelos Estados Unidos e pela sua OTAN, de que fazem parte, igualmente, os restantes Estados subordinados ao poder da zona de influência norte-americana.

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Passam hoje 77 anos sobre o ataque nuclear dos Estados Unidos à cidade japonesa de Hiroshima, causando a morte de cerca de 140 000 pessoas entre esse dia e o final de 1945. Infelizmente, as mortes continuaram a ter lugar como consequência do contacto com as radiações recebidas, sendo que quem sobreviveu teve de continuar a tratar-se ao longo de muitos anos.

A bomba nuclear aqui utilizada possuía uma potência equivalente a 13 quilotoneladas de TNT, ou seja, 13 000 toneladas deste explosivo. Hoje, armas com esta potência são destinadas a utilizações de natureza tática, com efeitos essencialmente locais. Objetivamente, o ataque nuclear a Hiroshima, e posteriormente o que o seguiu, mas sobre Nagasaki, constituíram indiscutíveis crimes contra a Humanidade, dado que o Japão estava completamente depauperado e vencido, embora se recusasse a aceitar uma rendição.

A ideia de construir um tipo de armamento novo, de enorme poder destrutivo, surgiu na Inglaterra, tendo-lhe estado ligados os cientistas Leó Szilárd e Paul Wigner, que acabaram por publicar a histórica Carta Einstein-Szilárd, e em que se pedia que os Estados Unidos tomassem medidas para adquirir boas quantidades de minérios de urânio, acelerando as anteriores investigações de Enrico Fermi sobre a reação nuclear em cadeia. Sobretudo pelo saber de Szilárd, Wigner e Edward Teller, o Governo dos Estados Unidos acabou por ser levado à conclusão de que o urânio seria uma possível fonte de bombas com um poder destrutivo muito maior do que qualquer outra bomba até então conhecida. Bastante mais tarde, veio a ser Edward Teller o grande impulsionador da construção da bomba termonuclear, usualmente conhecida por bomba de Hidrogénio.

Este caminho estava também a ser trilhado na Alemanha, mormente com as intervenções de Otto Han e de Werner Heisenberg. Esta realidade, entretanto conhecida das autoridades britânicas e norte-americanas, veio a determinar a corrida à construção da bomba nuclear, que veio a ter lugar nos Estados Unidos, sob as lideranças de Leslie Groves, no domínio da segurança global do projeto, e de Openheimer, na gestão global científica da plêiade de físicos que trabalharam na construção da bomba.

Depois de avanços e recuos vários, conseguiu-se, finalmente, produzir a detonação de uma bomba no meio de um deserto remoto dos Estados Unidos. A partir daqui, e após a rendição incondicional da Alemanha na Europa, sobrava a guerra com o Japão, que continuava orgulhoso do seu império, e submisso ao seu imperador, tendo surgido a ideia a utilizar a bomba nuclear que havia sido criada, a fim de pôr termo à guerra com o Japão.

Subsistiam, no entanto, dúvidas sobre o êxito na utilização da bomba nuclear, que muitos temiam não vir a funcionar na sequência e um disparo da arma em causa. Foi este facto que levou Truman a recuar na ideia de mostrar uma explosão, a ter lugar no sítio onde se haviam desenvolvido as pesquisas, perante uma delegação de representantes japoneses. E foi esta mesma razão que determinou que se recuasse, também, na ideia de operar uma mostra do poder da arma na baía de Tóquio, a fim de que as autoridades japonesas percebessem o que poderia vir a cair-lhes em cima. Deste modo, sobrou o ataque nuclear a Hiroshima que veio a ter lugar, mas de surpresa, sem aviso, de modo a esconder um possível falhanço.

O orgulho japonês, sempre suportado no papel do imperador, acabou por conduzir à recusa de uma rendição, mesmo depois do ataque nuclear a Hiroshima. Deste modo, veio a ter lugar um novo ataque nuclear, a Nagasaki, mas três dias mais tarde, 9 de agosto. Foram mais 40 000 mortes imediatas, que se estenderiam a 74 000 até ao final desse ano. Finalmente, o Japão veio a render-se a 14 de agosto de 1945.

Estes dois ataques nucleares foram os únicos até hoje praticados no mundo, tendo sido exercidos em guerra e por parte de quem possuía tal armamento sobre quem dele não dispunha. Nunca veio a ter lugar, logicamente, uma qualquer utilização de armas nucleares, ou termonucleares, entre potências que dispusessem de tais armamentos.

Já todos perceberam que a atual grande batalha da Ucrânia foi uma consequência da luta dos Estados Unidos contra a Rússia, levando a cabo o seu cerco através da expansão da OTAN para junto das fronteiras russas. Precisamente o que o Papa Francisco acabou por reconhecer, referindo um político internacional como lhe tendo explicado tal facto. Senhores do mundo, os Estados Unidos estão à beira de se verem ultrapassados pela China no domínio económico, ao mesmo tempo que se mantém a paridade nuclear com a Rússia. Com um mundo à beira de não poder sobreviver com os ritmos de crescimento da dominação neoliberal, que triunfou após o fim do comunismo soviético, os Estados Unidos vêem-se na necessidade de impedir a manutenção da atual distribuição de poder no mundo, o que requer uma minimização forte dos papéis, que são distintos, da China e da Rússia. Dispondo do seu bloco de influência mundial, com mais de 7 centenas de bases militares na Terra, os Estados Unidos precisam de fugir do regresso à era dos grandes blocos de influência. Eles têm o seu, mas, graças à máquina de propaganda de que dispõem em todo o mundo, através da grande comunicação social, tentam esconder essa realidade, dando-a como uma velharia a que se impõe não regressar.

Como qualquer um perceberá com facilidade, os Estados Unidos nunca renunciariam às armas nucleares, o que significa que a ideia de lhes pôr um fim apenas materializaria o enfraquecimento dos restantes que delas viessem a prescindir. A esta ideia, repleta de riscos para a liberdade no mundo, há que juntar a infeliz ideia de António Guterres de operar as tais mudanças na estrutura do Conselho de Segurança, ou seja, retirar de lá a Rússia e a China, e pôr um fim no direito de veto. Sobrariam, pois, os Estados Unidos como únicos senhores do mundo, situação que estão à beira de poder perder.

Olhando o que está a passar-se na Ucrânia, percebe-se que só a posse de armas nucleares e termonucleares por parte da Rússia impede que esta seja dizimada pelos Estados Unidos e pela sua OTAN, de que fazem parte, igualmente, os restantes Estados subordinados ao poder da zona de influência norte-americana. É bom não esquecer nunca que os Estados Unidos, na História da Humanidade, foram os únicos a utilizar tais armas e sobre quem as não possuía. A guerra, essa, sempre existiu, pelo que, mesmo sem armas nucleares continuaria a existir. O caso das guerras do Vietname e do Iraque mostraram que há duas leis para estas questões: uma para os Estados Unidos, a quem tudo é consentido, outra para os restantes Estados, mormente os não cristãos e/ou europeus. E o mesmo se pode dizer da Palestina, onde tudo é consentido a Israel, sempre com a treta internacional da ideia dos dois Estados, mas que nunca chegará a materializar-se, dado que se trata de uma luta entre cristãos e muçulmanos. E convém ter presente que se chegou a trabalhar, já no início da década de 60 do passado século, numa vacina destinada a negros, mas com a finalidade de promover a impossibilidade da sua fertilidade.

Vive-se, nos dias que passam, uma luta de morte entre o ambiente judaico-cristão, essencialmente presente no espaço euro-atlântico, e o restante do mundo, seja por razões raciais ou religiosas. O triunfo absoluto do primeiro só ainda não teve lugar por via, precisamente, da existência das armas nucleares. O seu fim seria o regresso a guerras em larga escala, mas que traria o mundo para uma zona de possível sobrevivência e dominação absoluta do tal ambiente judaico-cristão.

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