Informativo Digital do Nordeste Transmontano

Anna, a Brasileirinha de São Paulo

O novo livro da escritora transmontana Isabel Maria Fidalgo Mateus

0 503
annax

«A autora Isabel Mateus, oriunda de Trás-os-Montes, uma das regiões mais afetadas pela saída dos que procuraram melhorar vida fora do país, conseguiu, através da sua escrita, reconstituir o cenário em que se deslocou uma família, excelente paradigma dos que no início do século XX, deixando aldeias perdidas do interior, atravessaram o Atlântico tentando atingir o sonho que o relato de muitos conterrâneos tinha ajudado a construir», afirma a socióloga das migrações Maria Beatriz Rocha-Trindade.

Anna, a Brasileirinha de São Paulo
de Isabel Maria Fidalgo Mateus
ISBN: 9789899975859
Edição ou reimpressão: 02-2020
Editor: Gráfica Ediliber, Lda
Idioma: Português
Dimensões: 150 x 209 x 13 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 240

De facto, foi no ano de todas as partidas, em 1912, que o recém-casado Carlos Alberto Lopes emigrou do seu lugarejo transmontano para o Brasil. Tendo sido agricultor toda a sua vida, empregou-se lá no ramo das padarias. De resto, ofício que numerosos migrantes portugueses abraçaram no país de acolhimento. Só passados cinco anos, chegou, por fim, a Portugal a tão esperada carta de chamada, e foi a vez de a sua esposa e a filha Anna, de apenas seis anos de idade, embarcarem da Lisboa das Descobertas rumo ao porto de Santos, tendo como destino São Paulo para aí se fixarem.

Quase no fim da narrativa, surge a questão: haverá algum lusodescendente destemido que vista a velha pele de emigrante torna-viagem e que assim regresse à ancestral pátria para juntar as duas metades dum fruto?

Rocha-Trindade realça ainda que o imenso prazer que lhe trouxe a leitura deste texto não é apenas resultante do tema selecionado mas também, e sobretudo, da forma como foi tratado. A originalidade de abordagem no romance Anna, A brasileirinha de São Paulo oferece ao leitor duas narrativas que se cruzam e complementam dentro da mesma diegese: a possível e a imaginada, sendo ambas verosímeis. Aquele é o próprio interlocutor do narrador em demanda de novas peripécias e personagens que se vão, gradualmente, juntando à história narrada consoante a matéria lhe vai chegando.

Assim, inspirado numa só fotografia representativa da família brasileira mas servindo-se igualmente da pesquisa feita em arquivo, este é afinal o romance que vem dar uma valiosa contribuição literária no que se refere à vivência e à complexidade humana que caracterizam cada época de instalação migratória. Aliás, a visão oposta à do brasileiro caricaturado na literatura romântica de Camilo“.

Da sinopse de “Anna, a Brasileirinha de São Paulo

Publicidade

Comentários
carregar...

Este website usa cookies que permitem melhorar a sua experiência na internet. Pode aceitar ou recusar a utilização desta tecnologia Aceito Política de Privacidade